quarta-feira, 25 de junho de 2008

Já foi bom para alguém hoje?


Um amigo de blog me pediu para divulgar essa postagem do blog da Lele(http://everywomansamadonna.blogspot.com/2008/06/ontem-eu-fui-ao-carrefour-villa-lobos.html) sobre maus-tratos a duas crianças pelo segurança de um supermercado, tudo testemunhado por ela. Li e isso tudo me remeteu àquelas notícias relativamente recentes do pai que manteve a filha em cativeiro por sei lá quantos anos e, claro, da onipresente Menina Isabella.


A mídia cada vez mostra a deterioração dos valores e das relações de forma mais óbvia. Então, me pergunto, somos piores hoje do que éramos no passado ou Hobbes estava certo e o Homem sempre foi e sempre será intrinsicamente mau? Somos todos montsros egoístas, no final das contas?


O mal sempre existiu. Estão aí todas aquelas datas de guerra que tínhamos que decorar no colegial que não me deixam mentir sozinho. A diferença é a cobertura da mídia.


O maior problema não são as Isabellas e as austríacas cativas. Essas são bizarrices que sempre vão existir. São exceções. O grande mal é, de fato, a pequena maldade do dia-a-dia, o pequeno egoísmo no café-da-manhã.


Claro, é muito mais fácil e conveniente pensar apenas no próprio bem do que pensar em várias soluções até achar uma que seja melhor para as pessoas à nossa volta e que, convenhamos, não são tão importantes assim.


E todos nós caimos nessa armadilha de vez em quando. Eu mesmo me deixo envolver com Alfie sem pensar o suficiente no que ele pode vir a sentir nas nossas férias, quando ele vai ter que amargar dormir em um quarto enquanto eu vou dividir a cama em outro com o Chico Latino. Sim, mesmo eu posso ser mau.


Talvez voluntariado seja um passo grande demais para mim, agora. Talvez seja para qualquer um. Que tal então começar pelas coisas pequenas? Clichê como pareça, deve ser mais pedir desculpa para quem tropeça no seu pé na balada do que brincar de Jolie e adotar cinco crianças.


Assim, eu vou tentar ser mais humano com Alfie. Vou esperar que a Lele consiga levar o caso dos meninos espancados até a polícia. E espero que todos possamos dizer "por favor" e "obrigado", parar de fular filas, devolver o troco que o garçom trouxe a mais, assumir a culpa pelos erros ao invés de apontar o dedo e culpar o outro, sorrir para quem está nos olhando na balada no lugar de fazer carão, enfim, fazer escolhas melhores e mais altruístas quando a vida nos dá uma chance.


Afinal, ser gentil não pode ser tão difícil assim.


quarta-feira, 18 de junho de 2008

A Nova São Paulo e o Novo Eu


A boa e velha Terra da Garoa. Acabo de ver um post em um blog (http://www.asetimavisao.blogspot.com/) sobre Sampa e não consegui evitar escrever um pouco eu mesmo sobre a megalópole onde vivo e me perguntar a razão para eu viver aqui.


Nasci em Ribeirão Preto e vim para cá com quatorze anos para fazer teatro. Como todos aqueles criados no interior, sempre tive uma visão idealizada de São Paulo e a cidade não me decepcionou em nada. Entre os 17 e os 20, não conseguia ver defeitos na paulicéia desvairada, pois encontrei um lugar onde não só eu poderia ser gay como era VIP nas baladas, onde podia passar um dia inteiro sentado na Paulista e em todos os meus locais favoritos sem encontrar ninguém conhecido.


Então eu mudei para Londres e me apaixonei. Quando cheguei lá percebi que não gostava mais de São Paulo, que era feia, suja, cheia de gente mal-educada e careta. Fiquei lá por dois anos e percebi que Londres é feia, suja, cheia de gente bem-educada e careta. Voltei saudoso do espírito acolhedor e das baladas tão gostosas.


Três anos se passaram e hoje me incomoda o quanto São Paulo não é acolhedora e o quanto as baladas não são boas. Não estou com muita paciência para o carão provinciano e tudo ficou pior um dia em que eu fui para a The Week e percebi que havia entrada para os proprietários de um cartão gold, para os detentores de um cartão platinum e uma entrada para os VIPs. Perguntei para o host por onde eu entraria, já que não me enquadro em nenhuma das categorias acima. Ele me olhou de cima a baixo com fisionomia inquisidora e perguntou: "Como assim?", ao que eu disse: "Querido, eu não sou ninguém, não vim com ninguém e não sou amigo de ninguém. Quero pagar o preço cheio, a entrada toda. Por onde entro?", e lá vai ele consultar alguém...


Isso me incomoda em São Paulo. O pretenso luxo, a pretensa cultura, o cool, o hype. Sinto falta da São Paulo pré-Diesel, quando a Daslu era uma lojinha na Vila Nova Conceição e era possível ir ao Espaço Unibanco sem ter que comprar o ingresso com antecedência ou ir a um show sem ter que acessar o site dos ingressos nos primeiros vinte minutos da venda. Muita gente, muito ego, pouca coisa realmente interessante!


Hoje, cogito me mudar para Buenos Aires, mas sei que depois de dois anos vou me encher de lá também e, mais uma vez, desejar voltar para minha casa, minha São Paulo, da qual morro de ciúmes e sinto falta, mesmo vivendo aqui.


Então vou me valer do texto do blog mencionado e me propor a redescobrir os mais de 60 museus, os novos parques, os velhos restaurantes, as baladas que não conheço ainda e as pessoas que ainda vou conhecer. Vou reinventar minha relação com a capital e me predispor a gostar de tudo.


Afinal, todo casamento merece isso.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sexo é Pizza


A visão masculina do sexo tende a ser no sentido de que este é como pizza, até a meia-boca é aceitável. Refletindo e classificando minhas experiências na área, me lembro de (obrigado, Senhor!) algumas trepadas fenomenais, muitas ok e outras tantas que procuro apagar da memória. Mas se sexo é como pizza, por que às vezes desanda?


Em primeiro lugar, é muito fácil atribuir o insucesso da empreitada à outra parte, e para isso serve o silogismo:

Já fiz sexo Bom.
Se fiz sexo bom, trepo bem.
Se trepo bem e essa trepada foi uma bosta, a culpa é do imbecil ao meu lado.


Entretanto, talvez nós, homens, subestimemos o peso do contexto e do momento na performance. Talvez nós tenhamos sido os culpados por muitas das nossas noites mal-dormidas (no sentido dormir com alguém). Afinal, insistimos no sexo pelo sexo, transamos no primeiro encontro ou até mesmo antes dele, criamos expectativas, fornicamos sob o efeito das mais diversas drogas, legais ou não e, acima de tudo, supervalorizamos a atividade sexual.

Claro que nem tudo é culpa nossa. Lembro-me bem do cara que entendeu erroneamente que eu gosto de ser mordido e me deixou com hematomas, do cara que entendeu erroneamente que eu gosto de tapinhas e me deu duas bofetadas na cara, do cara que achou que meu cu era de borracha, do que cismou que meu pinto poderia se dobrar para trás num ângulo indescritível, do que não queria beijar na boca e do que só parou de pedir para eu mijar nele quando eu cedi e, imediatamente, fui embora.


Eu poderia continuar por linhas e linhas, acredite, mas acho que esses bastam para mostrar que, não, a cupa não é só minha, e para validar a necessidade da criação de um manual de etiqueta sexual. Talvez eu mesmo o escreva um dia.

Invariavelmente, porém, chego à conclusão de que sexo é como pizza, fácil, rápido, pode ser encontrado em qualquer esquina e até encomendado por telefone. A pizza, porém (e essa é a verdade que nos negamos a ver), pode ser borrachuda, sem sal, salgada demais ou cheia de fungos. Só me resta, assim, prestar mais atenção na qualidade dos ingredientes, na habilidade do pizzaiolo e no tempo de cozimento. Quem sabe assim possa evitar futura indigestão depois de virar os olhinhos.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados


Mal abri os olhos e já pude sentir o peso da data. Dormi no sofá, e até mesmo meu cachorro percebeu que havia algo errado e não me acordou para brincar com sua bolinha na boca como ele sempre faz. Ao invés disso, ficou quietinho me olhando com cara de piedade, a mesma cara que vou ver ao longo do dia nos rostos daqueles que têm algo para fazer depois que sairem do trabalho.

Nunca passei um dia dos namorados acompanhado. Minto, eu passei um em um fondue para solteiros com um garoto com o qual eu estava ficando havia dois dias, mas isso foi há uns sete anos. Sempre achei que fosse uma grande conspiração de Santo Antônio, mas quando estava morando em Londres percebi que São Valentim tampouco vai com a minha cara.

Este ano tenho o Chico Latino, com quem poderia passar a data se ele não estivesse a 1.693.606,70 metros de mim. Também poderia passar a data com Alfie, mas não temos, nem podemos ter uma relação. Então que se foda. Vou, sim, encher a cara com meus amigos solteiros e agradecer por não estar barrigudo como os caras dos casais tomando vinho tinto na mesa ao lado.

O curioso é que, ontem mesmo, na sala de aula, meus alunos foram incapazes de fazer uma lista de dez motivos para se estar em um relacionamento. Inspirado nisso, queridos solteiros, aqui vai a minha lista de 10 razões para levantar a cabeça bem alto nesse dia 12:

10 - Você não precisa ligar para ninguém para dizer aonde vai;

9 - Você pode chegar em casa e deixar tudo uma zona;

8 - Ninguém vai querer discutir o relacionamento;

7 - Você pode passar o fim de semana inteiro na frente do sofá, de pijama, comendo um pote inteiro de Häagen Dazs;

6- Você pode ficar o dia inteiro sem escovar o dente, a semana inteira sem fazer a barba, o ano inteiro sem depilar o cu e ninguém vai reclamar;

5 - Seu suado dinheirinho só precisa ser gasto com você;

4 - Você não vai ter que fingir que gostou do presente;

3 - Você não vai ter que passar pela tarefa hercúlea de reservar uma mesa num restaurante bacana ou pegar a infindável fila do motel;

2 - Você pode beber até cair, beijar quem quiser e transar com quem quiser;

1 - Ninguém vai ver ou tentar entender a lágrima solitária que vai cair no travesseiro hoje à noite.


Então, aproveite o dia e se jogue enquanto pode. Vá para a Lôca, beije muito, trepe muito, beba muito e dance muito. Afinal, no dia 12 do ano que vem, você pode estar namorando.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Na Cama com Alfie



Noite passada o Alfie dormiu aqui em casa com o Mini, os três já com o horário marcado no salão logo cedinho, para um corte coletivo de cabelo (nossa! Dito assim fica parecendo iniciativa da Prefeitura em Sapopemba!).


Dormimos os três na minha cama, vestidos desta vez, com Alfie no meio. Havia prometido à Madrinha da Bateria, que também trabalha com a gente, que não tomaria nenhuma iniciativa para beijá-lo, Afinal, o caso com Alfie não pode começar antes do final de Julho. Juro que tentei. Até tínhamos dormido "cada um no seu quadrado", mas, semi-acordado e carente no meio da noite gélida, não resisti e puxei o braço de Alfie ao redor do meu corpo, não sem dar alguns pequenos beijos ternos nas pontas dos dedos dele.


Sei que ele acordou porque se aninhou junto a mim e dormimos abraçados a noite toda, mas cumpri parcialmente minha promessa, já que apesar de ter, sim, tomado alguma iniciativa, não o beijei. Adoro ter estudado direito e sempre achar uma brecha naa leis!


Quando acordamos, ficamos deitados abraçadinhos enquanto Mini tomava banho, palavras sendo desnecessárias. Até que ele me acariciou o braço e disse: "Sua pele é tão macia. Adoro este pedaço em especial". Jogo sujo! Não se pode elogiar alguém logo cedo, antes mesmo desse alguém escovar os dentes, sem fazer pegar amor.


Mas tudo isso tem que esperar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Balada HT


Neste finde fui para Ribeirão Preto visitar minha família. Viajem relâmpago de pouco mais de 24 horas, que é o tempo máximo que tenho conseguido passar na minha cidade natal. Tudo bem, já que os dias lá, na verdade, têm 30 horas. Mas não é que desta vez me diverti! E na balada HT!!!!



Na verdade, cheguei já no começo da noite e fui com Mamis, Papis, Maninho e sua noiva para um show do Milton Nascimento na praça principal. Nunca fui fã, mas o show serviu para encontrar vários conhecidos que não via há anos (incrível como é fácil encontrar colegas de colégio no interior) e descobrir que, na verdade, Milton está morto! Sério. Ele está embalsamado e é controlado como um marionete por pessoas que ficam escondidinhas em cima do palco, assim como o Keith Richards e a Amy Winehouse. O melhor, claro, ainda estava por vir.



A balada HT, que abriu há uns quatro meses, era a mais concorrida da cidade até que outra balada abriu a menos de um quarteirão. Agora já tem aquele ar ligeiramente decadente de balada has been, sendo que ainda nem deu tempo de alguém escrever na porta do banheiro com a chave. As pessoas eram um show à parte. Amo os meninos do interior. Nenhuma calça skinny, nenhum cabelo desestruturado, nenhum cardigan, enfim, nada que demonstre que eles tenham a mais vaga idéia do que é tendência na moda, ou seja, muita autenticidade nas Ralph Lauren e cabelos deixados para secar ao natural. Apesar disso, ou por isso mesmo, eles parecem tão saudáveis e bonitos. Toscos, é verdade, mas combinam muito com um entardecer e um labrador.



As meninas, no entanto, parecem todas saídas de um catálogo da Guaraná Brasil. Caipiras querendo pagar de modernnhas, bem-intencionadas, mas bem erradas. Mas é delas que veio toda a direção. Depois de dois mojitos eu já estava cercado pelas amigas da noiva que não puderam resistir à presença de um gay e me pediam conselhos, desde roupas até depilação passando por incontáveis "E aquele ali? É gay?". Claro que elas sempre acabam chegando à conclusão que eu não sou gay coisa nenhuma, e que eu só finjo ser gay para chegar nas menininhas (!?!) ou pior ainda, que o sonho da vida delas é ter um amigo gay moderno, inteligente, legal, lindo, viajado, culto e engraçado como eu.



Claro que não disse para elas que as únicas menininhas que eu quero pegar são as superpoderosas do Mc Lanche Feliz, ou que não sou tão merecedor dos elogios quanto elas pensam que sou, mas para que detruir as fantasias delas?



E, pensando bem, para que destruir a minha? Afinal, havia muito que eu não ia para uma balada conceito algum, onde os meninos eram, sim, bonitos, e onde as pessoas se preocupavam mais com se divertir e aprender com os outros do que fazer carão.



Fica aí meu protesto! As baladas gays sempre foram famosas por ser as melhores, mas será que são mesmo? Será que nos clubes gays as pessoas querem se divertir com as pessoas ou às custas das pessoas? Será que toda bicha é, no fundo, a Sylvetty Montilla?



Eu, por minha vez, me prometo frequentar mais a cena HT não-moderna, mas acho que duas vezes por ano bastam!








quinta-feira, 5 de junho de 2008

Trabalho amanhã...que delícia!


Definitivamente eu preciso de férias. Sei que não sou o único e tampouco o que mais precisa, já que minhas últimas férias foram em Janeiro. Mas sei também que a minha profissão figura em TODAS as listas de profissões mais estressantes, então acho que isso legitima meus dois meses de férias anuais.


Junho sempre chega com os ventos da insatisfação trazendo o odor das bilhões de provas e redações para corrigir e das conversas com os pais dos adolescentes que não estão nem aí para a paçoca, e que, por sinal, estão menos ainda. Tanta coisa tediosa que me pergunto o porquê de eu não ter me tornado arqueólogo ou dublê. Eu seu que o trabalho deles também é um saco, assim como o seu, e que a única profissão constantemente interessante e cheia de desafios é roteirista das propagandas da Polishop, mas me deixa reclamar em paz!


E para piorar, parece que todos os chefes do mundo resolveram ser extra-pentelhos no mesmo mês. Ou você vai me dizer que o seu está belezinha, fazendo elogios e te propondo aumento? Deve a Lua, ou Saturno. É sempre a porra do Saturno!
Amanhã tenho uma reunião com a chefe, que é mais difícil de achar do que anão viado, responde a todas as perguntas com outras perguntas e já me acusou injustamente de fofoqueiro. O motivo do encontro é contar a ela o que estou fazendo e pretendo fazer para garantir que meus alunos se matriculem uma vez mais no semestre que vem. Achei que a resposta fosse óbvia:


STRIPTEASE E BOQUETE EM TODA AULA, CARALHO!